A abpp-rj

A psicopedagogia nasceu da necessidade de uma melhor compreensA?o do processo de aprendizagem e se tornou uma A?rea de estudo especA�fica que busca conhecimento em outros campos e cria seu prA?prio objeto de estudo (Bossa, 2000, p. 23). Ocupa-se do processo de aprendizagem humana: seus padrA�es de desenvolvimento e a influA?ncia do meio nesse processo.

A clA�nica psicopedagA?gica corresponde a um de seus campos de atuaA�A?o, cujo objetivo A� diagnosticar e tratar os sintomas emergentes no processo de aprendizagem. O diagnA?stico psicopedagA?gico busca investigar, pesquisar para averiguar quais sA?o os obstA?culos que estA?o levando o sujeito A� situaA�A?o de nA?o aprender, aprender com lentidA?o e/ou com dificuldade; esclarece uma queixa do prA?prio sujeito, da famA�lia ou da escola. (Weiss apud Scoz, 1991, p. 94).

A psicopedagogia no Brasil, hA? trinta anos, vem desenvolvendo um quadro teA?rico prA?prio. a�?A� uma nova A?rea de conhecimento, que traz em si as origens e contradiA�A�es de uma atuaA�A?o interdisciplinar, necessitando de muita reflexA?o teA?rica e pesquisaa�? (Bossa, op.cit, p.13).

A Psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, o que adveio de uma demanda a�� o problema de aprendizagem, colocando num territA?rio pouco explorado, situado alA�m dos limites da Psicologia e da prA?pria Pedagogia a�� e evolui devido a existA?ncia de recursos, para atender esta demanda, constituindo-se assim, numa prA?tica. Como se preocupa com o problema de aprendizagem, deve ocupar-se inicialmente do processo de aprendizagem. Portanto vemos que a psicopedagogia estuda as caracterA�sticas da aprendizagem humana: como se aprende, como esta aprendizagem varia evolutivamente e estA? condicionada por vA?rios fatores, como se produzem as alteraA�A�es na aprendizagem, como reconhecA?-las, tratA?-las e preveni-las. Este objeto de estudo, que A� um sujeito a ser estudado por outro sujeito, adquire caracterA�sticas especA�ficas a depender do trabalho clA�nico ou preventivo (Idem, p. 21).

A distinA�A?o entre o trabalho clA�nico e o preventivo A� fundamental. O primeiro visa buscar os obstA?culos e as causas para o problema de aprendizagem jA? instalado; e o segundo, estudar as condiA�A�es evolutivas da aprendizagem apontando caminhos para um aprender mais eficiente.

Vejamos a definiA�A?o de Bossa (Idem, p.21) sobre os dois campos de atuaA�A?o da psicopedagogia:

O trabalho clA�nico dA?-se na relaA�A?o entre um sujeito com sua histA?ria pessoal e sua modalidade de aprendizagem, buscando compreender a mensagem de outro sujeito, implA�cita no nA?o-aprender. Nesse processo, onde investigador e objeto-sujeito de estudo interagem constantemente, a prA?pria alteraA�A?o torna-se alvo de estudo da Psicopedagogia. Isto significa que, nesta modalidade de trabalho, deve o profissional compreender o que o sujeito aprende, como aprende e porque, alA�m de perceber a dimensA?o da relaA�A?o entre psicopedagogo e sujeito de forma a favorecer a aprendizagema�?.

No enfoque preventivo, a�?a instituiA�A?o, enquanto espaA�o fA�sico e psA�quico da aprendizagem A� objeto de estudo da Psicopedagogia, uma vez que sA?o avaliados os processos didA?tico-metodolA?gicos e a dinA?mica institucional que interferem no processo de aprendizagem.

No exercA�cio clA�nico, o psicopedagogo deve reconhecer seu processo de aprendizagem, seus limites, suas competA?ncias, principalmente a intrapessoal e a interpessoal, pois seu objeto de estudo A� um outro sujeito, sendo essencial o conhecimento e possibilidade de diferenciaA�A?o do que A� pertinente de cada um. a�?Essa inter-relaA�A?o de sujeitos, em que um procura conhecer o outro naquilo que o impede de aprender, implica uma temA?tica muito complexaa�? (Ibidem., p. 23).

O psicopedagogo tem como funA�A?o identificar a estrutura do sujeito, suas transformaA�A�es no tempo, influA?ncias do seu meio nestas transformaA�A�es e seu relacionamento com o aprender. Este saber exige do psicopedagogo o conhecimento do processo de aprendizagem e todas as suas inter-relaA�A�es com outros fatores que podem influenciA?-lo, das influA?ncias emocionais, sociais, pedagA?gicas e orgA?nicas. Conhecer os fundamentos da Psicopedagogia implica refletir cheapest cialis buy. sobre suas origens teA?ricas e entender como estas A?reas de conhecimento sA?o aproveitadas e transformadas num novo quadro teA?rico prA?prio, nascido de sementes em comum.

A Psicologia e a Pedagogia sA?o as A?reas a�?mA?esa�? da psicopedagogia, mas nA?o sA?o suficientes para embasar todo o conhecimento necessA?rio. Desta forma, foi preciso recorrer a outras A?reas, como a Filosofia, a Neurologia, a Sociologia, a PsicolingA?A�stica e a PsicanA?lise, no sentido de alcanA�ar uma compreensA?o multifacetada do processo de aprendizagem.

Nesse lugar do processo de aprendizagem coincidem um momento histA?rico, um organismo, uma etapa genA�tica da inteligA?ncia e um sujeito associado a tantas outras estruturas teA?ricas, de cuja engrenagem se ocupa e preocupa a Epistemologia; referimo-nos principalmente ao materialismo histA?rico, A� teoria piagetiana da inteligA?ncia e a teoria psicanalA�tica de Freud, enquanto instauram a ideologia, a operatividade e o inconsciente (Pain,1985, p.15).

O campo de atuaA�A?o da psicopedagogia A� focado no estudo do processo de aprendizagem, diagnA?stico e tratamento dos seus obstA?culos, sendo o psicopedagogo responsA?vel por detectar e tratar possA�veis obstA?culos no processo de aprendizagem; trabalhar o processo de aprendizagem em instituiA�A�es de indivA�duos ou grupos e realizar processos de orientaA�A?o educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual ou em grupo.

As A?reas de estudo se traduzem na observaA�A?o de diferentes dimensA�es no processo de aprendizagem: orgA?nico, cognitivo, emocional, social e pedagA?gico. a�?A interligaA�A?o desses aspectos ajudarA? a construir uma visA?o gestA?ltica da pluricausalidade deste fenA?meno, possibilitando uma abordagem global do sujeito em suas mA?ltiplas facetasa�? (Weiss, 1992, p. 22).

A dimensA?o emocional estA? ligada ao desenvolvimento afetivo e sua relaA�A?o com a construA�A?o do conhecimento e a expressA?o deste atravA�s de uma produA�A?o grA?fica ou escrita. A psicanA?lise A� a A?rea que embasa esta dimensA?o, trata dos aspectos inconscientes envolvidos no ato de aprender, permitindo-nos levar em conta a face desejante do sujeito. Neste caso, o nA?o aprender pode expressar uma dificuldade na relaA�A?o da crianA�a com seu grupo de amigos ou com a sua famA�lia, sendo o sintoma de algo que nA?o vai bem nesta dinA?mica.

A dimensA?o social estA? relacionada A� perspectiva da sociedade, onde estA?o inseridas a famA�lia, o grupo social e a instituiA�A?o de ensino. A Psicologia Social A� a A?rea responsA?vel por este aspecto. Encarrega-se da constituiA�A?o dos sujeitos, que responde A�s relaA�A�es familiares, grupais e institucionais, em condiA�A�es socioculturais e econA?micas especA�ficas e que contextualizam toda a aprendizagem. Um exemplo de sintoma do nA?o aprender relacionado a este aspecto pode acontecer pelo fato do sujeito estar vivendo realidades em dois grupos de ideologia e prA?tica com muitas diferenA�as.

A dimensA?o cognitiva estA? relacionada ao desenvolvimento das estruturas cognoscitivas do sujeito aplicadas em diferentes situaA�A�es. No domA�nio desta dimensA?o, devemos incluir a memA?ria, a atenA�A?o, a percepA�A?o e outros fatores que usualmente sA?o classificados como fatores intelectuais. A Epistemologia e a Psicologia GenA�tica sA?o as A?reas de pano de fundo para este aspecto. Encarrega-se de analisar e descrever o processo construtivo do conhecimento pelo sujeito em interaA�A?o com os outros objetos.

A dimensA?o pedagA?gica estA? relacionada ao conteA?do, metodologia, dinA?mica de sala de aula, tA�cnicas educacionais e avaliaA�A�es aos quais o sujeito A� submetido no seu processo de aprendizagem sistemA?tica. A Pedagogia contribui com as diversas abordagens do processo ensino aprendizagem, analisando-o do ponto de vista de quem ensina.

A dimensA?o orgA?nica estA? relacionada A� constituiA�A?o biofisiolA?gica do sujeito que aprende. A medicina e, em especial, algumas A?reas especA�ficas contribuem para o embasamento deste aspecto. Os fundamentos da NeurolinguA�stica possibilitam a compreensA?o dos mecanismos cerebrais que subjazem ao aprimoramento das atividades mentais. Sujeitos com alteraA�A?o nos A?rgA?os sensoriais terA?o o processo de aprendizagem diferente de outros, pois precisam desenvolver outros recursos para captar material para processar as informaA�A�es.

A LinguA�stica A� a A?rea que atravessa todas as dimensA�es. Apresenta a compreensA?o da linguagem como um dos meios que caracteriza o tipicamente humano e cultural: a lA�ngua enquanto cA?digo disponA�vel a todos os membros de uma sociedade e a fala como fenA?meno subjetivo, evolutivo e historiado de acesso A� estrutura simbA?lica.

Nenhuma dessas A?reas surgiu para responder especificamente a questA�es da aprendizagem humana. No entanto, fornecem meios para refletirmos cientificamente e operarmos no campo psicopedagA?gico.

Fonte: DissertaA�A?o de Mestrado “CONSTRUINDO UM ESPAA�O: AMBIENTE COMPUTACIONAL PARA APLICAA�A?O NO PROCESSO DE AVALIAA�A?O PSICOPEDAGA�GICA” – Sueli de Abreu – UFRJ/NCE – 2004